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Clareamento endógeno

Introdução:

Não é raro encontrarmos dentes que foram tratados de canal com alterações na sua cor. Essas descolorações podem variar de intensidade, indo de um ligeiro amarelamento até o marron ou cinza escuros. O tratamento de canal em si, quando adequadamente realizado, não constitui causa de alteração de cor dos dentes. As causas do manchamento de dentes tratados de canal surgem em decorrência de hemorragia internamente no dente após um trauma mecânico, degradação do tecido pulpar e células sanguíneas, limpeza deficiente da câmara pulpar no ato do tratamento de canal, e uma má escolha de cimentos e materiais que contém prata para obturar o canal e/ou restaurar a abertura de acesso endodôntico.

Produtos usados:

Os agentes mais utilizados no clareamento de dentes tratados de canal são o peróxido de hidrogênio a 35% e o perborato de sódio. Peróxido de carbamida numa concentração de 37% também é uma alternativa. O tratamento é restrito ao consultório.

Resultados:

As técnicas para o clareamento de dentes não vitais são conhecidas desde 1800, com resultados na maioria das vezes satisfatórios, mas que não são predizíveis. Insucessos no tratamento são mais frequentes quando a descoloração está relacionada a um dente que foi submetido ao tratamento de canal há mais de 4 ou 5 anos. Tais dentes podem até responder bem ao tratamento imediatamente, mas tendem a retornar ao manchamento em curto espaço de tempo.

Técnica:

Passaremos a descrever, de maneira simplificada e apenas com o objetivo didático, uma técnica para o clareamento de dentes não vitais.

Obs.: Em breve estaremos ilustrando esta sessão com fotos para o melhor entendimento dos passos a seguir.

1- Através de escala de cor e fotografias, resgistra(m)-se o(s) dente(s) que sofrerão o tratamento.

2- Com o auxílio de um lençol de borracha isolamos o dente escurecido.

3- Executamos uma abertura coronária para acesso endodôntico com a limpeza de todos os detritos e remoção da dentina amolecida se esta existir. Uma pequena porção de dentina escurecida também poderá ser removida com muita cautela.

4- Após o esvaziamento da câmara pulpar e remoção de aproximadamente 3 mm da obturação do canal a partir de sua embocadura, uma camada pasta de hidróxido de calcio é colocada para alcalinizar o meio. Depois selamos a embocadura do canal com um cimento de fosfato de zinco, promovendo uma rolha hermética.

5- Ácido fosfórico a 37% é usado durante 15 segundos para atacar tanto o interior da câmara pulpar como a face vestibular do dente. Lava-se, então o gel ácido. Seca-se.

6- Embebe-se uma gaze no peróxido de hidrogênio a 35% que deve ser colocada sobre o dente e dentro da câmara pulpar. Aplica-se calor sobre a gaze através de um instrumento aquecido ao rubro ou aparelho próprio para esse fim. Troca-se a gaze por outra também embebida e repete-se o procedimento. Faz-se isso por no máximo 30 minutos.

7- Então, como curativo de demora, fazemos uma pasta com a mistura de peróxido de hidrogênio e perborato de sódio, colocamos dentro da câmara pulpar e fechamos a cavidade com o auxílio de uma resina composta. Ela deverá permanecer de 72 horas a uma semana. Uma nova sessão é marcada. Avaliamos o resultado e decidimos se um novo curativo de demora deverá ser executado. Isso só poderá acontecer por no máximo 3 sessões.

8- Após dado como concluído o tratamento, restauramos a abertura coronária com resina composta.

 

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